Tudo é refluxo?

O pediatra Jayme Murahovschi fala sobre esse diagnóstico que se tornou muito comum em recém-nascidos

Por Cristiane Marangon – atualizada em 22/09/2014 15h33

O tema refluxo mereceu destaque no evento Juntos nos primeiros 1.000 dias de Vida, promovido pela CRESCER, em parceria com a Nestlé. Segundo o pediatra Jayme Murahovschi, que esteve no bate-papo com as famílias, “vivemos na época da refluxomania”. Isso significa que qualquer regurgitar ou golfar é tratado como refluxo. Para ele, há um exagero no tratamento do assunto. “Todos regurgitamos e nem sempre tomamos remédios para isso. Há bebês sendo medicados com dois ou três dias de vida. Isso é um absurdo!”, analisa Murahovschi.

Então, como identificar se um bebê precisa mesmo de tratamento? Em primeiro lugar, é importante saber que a regurgitação é normal e faz parte do processo de amadurecimento do tubo digestivo. “O fundamental em todo o processo é verificar se o peso do bebê está adequado”, pontua. “Se ele regurgita muito, mas está ganhando peso, não se preocupe.”

A cantora Luciana Mello, mãe de Nina, 5 anos, e Tony, 8 meses, que também participou da conversa, conta que a primogênita não passou por esse problema. Em compensação, o caçula teve muita cólica e chegou a regurgitar bastante. “Relutei em medicá-lo e hoje vejo que acertei na decisão, pois o Tony é um menino forte, que pesa 10 quilos com apenas 8 meses.”

Assim, o pediatra Jayme Murahovschi fecha o assunto com uma orientação: “o bom pediatra não se baseia apenas na balança. Ele deve acompanhar também o crescimento (peso e altura) e, inclusive, o comportamento do bebê. “Se a criança possui qualquer alteração e não está feliz, aí sim o quadro deve ser investigado.”